terça-feira, 26 de abril de 2011

Quebra catalítica do petróleo

A alta demanda de gasolina fez com que a indústria petrolífera se aprimorasse. Estudos revelaram que a obtenção do combustível era possível não apenas na coluna de fracionamento, mas também através de um processo denominado cracking, que consiste na quebra da molécula de gasolina (C8H18). 

Quebra catalítica do petróleo 

O princípio básico do processo cracking é aquecer hidrocarbonetos que contenham de 14 a 16 átomos de carbono na ausência de ar e na presença de catalisadores (alumina-Al2O3, por exemplo). As cadeias de carbono sofrem decomposição térmica, produzindo mais gasolina (faixa de C6H14 a C10H22). 

Portanto, através da quebra catalítica, as longas cadeias de carbono reduzem-se a alcanos menores. Estas longas cadeias dizem respeito aos combustíveis, querosene e óleo diesel. 

As refinarias utilizam este processo para melhor atender a demanda, uma vez que, a falta de um determinado combustível é suprida pela quebra de alcanos maiores, até chegar à sua faixa correspondente.

Destilação do petróleo

O petróleo, após ser extraído da natureza, é transportado para as refinarias e começa a ser fracionado através de aquecimento em tanques apropriados dando origem a vários subprodutos, esse processo é denominado de destilação fracionada.

Os derivados do petróleo são hidrocarbonetos (compostos por átomos de carbono e hidrogênio), sendo os mais leves formados por pequenas moléculas, como, por exemplo, o etano (C2H6), e os mais pesados contendo até 70 átomos de carbono. A destilação acontece justamente por essa diferença de tamanho das moléculas, quanto menor a molécula de hidrocarboneto, menor é a sua densidade e temperatura de evaporação.

Através do quadro abaixo é possível ter uma idéia do que é o destilamento do petróleo, e como os diferentes subprodutos vão sendo obtidos a partir do aumento de temperatura:

Acompanhe agora a utilização de cada um dos subprodutos do petróleo:

Gás de petróleo: dá origem ao gás de cozinha.

Gasolina: usada como combustível de motores automotivos.

Querosene: combustível próprio para aviões.

Diesel: é o combustível de ônibus, caminhões, tratores.

Lubrificante: aplicado em máquinas e peças para aumentar a vida útil desses equipamentos.

Óleo: também chamado de óleo combustível, é ele o responsável pela movimentação de navios.

Asfalto: este é o último produto a ser fracionado, e apresenta aspecto denso, é usado na pavimentação de ruas e estradas.









domingo, 17 de abril de 2011

Petróleo

O petróleo é um líquido oleoso, cuja cor varia segundo a origem, oscilando do negro ao âmbar. É encontrado no subsolo, em profundidades variáveis (podem haver acumulações tanto a poucos metros da superfície terrestre, quanto a mais de 3 mil metros de profundidade) e é muito rico em hidrocarbonetos (HC).


Um pouco de História

Há muito, os antigos conheciam o petróleo e alguns de seus derivados, como o asfalto e o betume. Contudo, não se sabe exatamente quando eles despertaram a atenção do homem.  Na fase pré-histórica da utilização do petróleo, referências esparsas nos levam a crer que era conhecido do homem há 4 mil anos a.C.
Foi descrito por Plínio em sua História Natural e, segundo Heródoto, grande historiador do século V a.C, Nabucodonosor usou o betume como material de liga na construção dos célebres jardins suspensos da Babilônia.
De acordo com a Bíblia, foi usado na Torre de Babel e na Arca de Noé (Gênesis - cap. 6, V. 14) como asfalto, para sua impermeabilização. Além disso, uma descoberta arqueológica, efetuada há alguns anos atrás, revelou indícios do emprego do asfalto, no século IV, como material de construção de cidades.
Na Ásia Menor (Oriente Médio), onde se encontram atualmente as maiores jazidas petrolíferas do mundo, o imperador Alexandre, o Grande, da Macedônia, numa de suas expedições observou, a presença de chamas surgidas do seio da terra e de uma fonte de combustível que chegava a formar um lago.
Os egípcios utilizavam o petróleo para embalsamento de mortos ilustres e como elemento de liga nas suas seculares pirâmides, ao passo que os romanos e gregos usavam-no para fins bélicos.
Muito antes da descoberta do Novo Mundo, os indígenas das Américas do Norte e Sul, serviam-se do petróleo ou de alguns de seus derivados naturais para inúmeras aplicações - entre elas a pavimentação das estradas do império inca.
(Artigo extraído do "O mundo fabuloso do petróleo" editado pelo Serviço de Relações Públicas - Petróleo Brasileiro S.A.)




























1. Origem:
Diversas teorias tentam explicar a origem do petróleo. Atualmente, a mais aceita entre os geólogos é a de que seja oriundo de substâncias de natureza orgânica.
Com base na teoria orgânica da origem do petróleo, o mesmo deverá ser encontrado com maior probabilidade nas áreas em que, no decorrer de diferentes eras geológicas, houve deposição de rochas sedimentares e acumulação de restos orgânicos.Fica então,  praticamente excluída a possibilidade da presença de petróleo nas rochas ígneas e metamórficas, porém, a confirmação só é possível com a perfuração.


2. A prospecção:

Antigamente, em certas regiões dos EUA, a presença de água era muito rara e na sua busca foi perfurado o primeiro poço de petróleo (1859). Mas foi apenas na segunda metade do século XIX que o petróleo começou a ser aproveitado industrialmente em Tittusville pelo Coronel Edwin L. Drake. O poço tinha a profundidade de 21 metros e foi perfurado por uma broca que perfurava pelo sistema de bate-estaca. Sua produção era de 19 barrís (3 metro cúbicos/dia).
Uma das primeiras utilizações do petróleo foi como combustível, principalmente na iluminação, substituindo o óleo de baleia.
Como era muito inflamável o petróleo passou a ser refinado em alambiques, obtendo-se assim, o querosene.
Com a invenção dos motores de explosão e a diesel (1887), as frações do petróleo que eram desprezadas, passaram a ter novas aplicações.
Hoje, a exploração do petróleo se processa em bases científicas. A Geologia utiliza-se de ciências auxiliares, como: estudo das rochas no tempo e no espaço de sua origem; estudo dos microorganismos fósseis; estudo minucioso das rochas e mapeamento aéreo fotográfico, além dos métodos geofísicos e geoquímicos. Mais atualmente, estes estudos são facilitados pelo emprego da computação eletrônica.

3. Perfuração:
O primeiro método de perfuração consistia em escavar a terra.Para alcançar maiores profundidades, o método mais rápido de perfuração é o rotativo.
Em geral um poço é perfurado verticalmente. Pelo método rotativo, a coluna de perfuração, tendo na ponta uma broca, vai penetrando no solo. Em determinados intervalos retiram-se amostras que vão sendo analisadas no decorrer da operação. Algumas vezes a perfuração é feita de maneira direcional para debelar um incêncio ou controle de jorro de petróleo.
A 4000 metros de profundidade, em camadas de rochas sedimentares, o poço sofre uma pressão de mais de 400 atmosferas (400 kg por cm2 ).Para equilibrar a pressão interna com a externa é injetada no poço uma mistura especial de lama - argila e água - que vai sendo despejada à medida que a sonda se aprofunda.
A imagem de um poço jorrando explosivamente já é retrato do passado.
Para os trabalhos de perfuração exploratória no mar,são empregadas unidades perfuradoras que podem ser do tipo submersíveis, auto-eleváveis (ambas com apoio no fundo do mar), semi-submersíveis e flutuantes.


4. Tipos de petróleo:
americano (EUA e BRASIL)parafínicosrico em hidrocarbonetos da série dos alcanos*.
cáucaso (RUSSO)cicloparafínicosrico em hidrocarbonetos da série dos ciclo-alcanos.
indonésia (BORNÉU)benzênicosrico em hidrocarbonetos da série dos aromáticos.
*ALCANOS ou HIDROCARBONETOS PARAFÍNICOS (parafínico = pouca afinidade = baixa reatividade química)
São hidrocarbonetos de cadeia aberta (acíclica ou alifática) e saturada (apenas ligações simples do tipo sigma).
Possuem fórmula geral :  CnC2n+2
Exemplos: CH4  metano ; C2H6  etano ; C3H8  propano ; C4H10  butano ; etc.
GLP (gás liquefeito do petróleo = gás de cozinha = mistura de propano e butano).

5. Refino do petróleo:
A primeira etapa do refino, consiste na destilação fracionada que é feita na Unidade de Destilação Atmosférica, por onde passa todo o óleo cru a ser refinado. O óleo préaquecido penetra na coluna ou torre de fracionamento que possui uma série de pratos. O petróleo aquecido sobe pela coluna e à medida que vai passando pelos pratos sofre condensação, separando-se em diversas frações.
" fração "
gás natural .......................................
gás engarrafado (GLP) .....................
solventes .........................................
gasolina ..........................................
querosene .......................................
óleo diesel ......................................
óleo combustível .............................
óleo lubrificante ..............................
parafina .........................................
asfalto ............... resíduo final.
"composição em hidrocarbonetos"
 metano e etano.
 propano e butano (gás de cozinha).
 C5H12 aC7H16 
.C6H14 aC10H22. (*)
 C10H22 aC15H32 .(*)
 C15H32 ..... (a cadeia vai aumentando de
tamanho e vai crescendo a massa molecu-
lar. Passando da fase gasosa para a sólida.)

(*) varia de acordo com a refinaria.


 6. Craqueamento ou pirólise (cracking) :
Como a produção de petróleo não crescia no mesmo ritmo do mercado consumidor, foram realizados estudos no sentido de melhor aproveitamento dos resíduos, levando a indústria ao craqueamento térmico.

Moléculas de  C14 a C16  são aquecidas na presença de catalisadores (alumina Al2O3) e sofrem decomposição térmica, produzindo mais gasolina* (faixa de C6H14  aC10H22 ).
* A gasolina é uma mistura de hidrocarbonetos da série dos alcanos ou parafinas, cuja composição química varia de acordo com a destilação fracionada adotada pela refinaria.
A mistura pode ser de :  C6H14 a C10 H22C6H14a C12 H26

Costuma-se representar a gasolina pela fórmula: C8H18  (média entre os componentes da mistura).
 

C15H32querosene
(catalisador e aquecimento)
" alcanos " C6H14  C7H16C8H18 C9H20 C10H22C11H24 C12H26 C13H28  " alcenos " C9H18  C8H16 C7H14 C6H12 C5H10   C4H8C3H6 C2H4  ( gás do craqueamento )

A produção da gasolina aumentou, apresentando ainda melhor qualidade.

7. Alquilação :
Moléculas pequenas de alcanos e alcenos (resultantes do craqueamento) se juntam, originando moléculas maiores, produzindo mais gasolina (processo inverso do craqueamento). C4H10  +  C4H8  ------->  C8H18 C3H8+  C3H6 -------> C6H14 8. Índice de octanagem:
- gasolina de baixa octanagem (não resiste à compressão) sofre combustão prematura, pela simples compressão. 


- gasolina de alta octanagem (resiste à compresão) sofre combustão diante de uma faísca produzida pela vela do motor.
Teste de Laboratório Gasolina constituída apenas de " n.heptano " = índice de octanagem =zero.
Gasolina constituída apenas de "  isoctano  " = índice de octanagem = 100 .
OBS.: Quando uma gasolina é referida como sendo de 70 octanos, significa que ela oferece uma resistência à compressão equivalente a uma mistura de: 30% de n.heptano + 70% de isoctano (testada em laboratório*)
TESTE DE LABORATÓRIO
  Gasolina
 de 40 octanos:  60% de n.heptano + 40% de isoctano.
  Gasolina de 80 octanos:  20% de n.heptano +  80% de isoctano.
  Obs.: quanto mais alto o índice de octanos, maior a resistência que a gsolina oferece à compressão..

A qualidade da gasolina é melhorada pela adição de substâncias denominadas "anti-detonantes".

O Brasil já utilizou o tetraetil-chumbo  (chumbo-tetraetila)  Pb(C2H 5)4 para melhorar a qualidade da gasolina. Atualmente, a gasolina é misturada com álcool etílico (etanol ou álcool comum), o que melhora sua resistência à compressão.
O tetraetil-chumbo foi substituído por ser nocivo ao meio ambiente (emitia vapores de chumbo na atmosfera e o chumbo é altamento tóxico).












Tecnólogo em petróleo e gás, profissional em ascensão

Desde as primeiras descobertas de reservas de petróleo e gás na camada do pré-sal em águas profundas, cerca de cinco a sete mil metros abaixo do novel do mar, em vários pontos do litoral brasileiro, um novo tipo de profissional surgiu e agora encontra espaços para expandir acarreira industrial: é o tecnólogo em petróleo e gás. Novos postos de trabalho estão sendo oferecidos na área de petróleo e gás e para isso, muitos profissionais estão se preparando com cursos de graduação, especialmente os cursos seqüenciais, mais rápidos do que os convencionais.
A perspectiva de crescimento para o setor são as melhores possíveis e o tecnólogo em petróleo e gás só tem a ganhar com isso. São diversas as possibilidades de trabalho na cadeia produtiva do setor, onde o tecnólogo pode atuar na exploração e transformação do petróleo e do gás natural a partir de sua extração. Desse modo, os postos de trabalho crescem consideravelmente, abrangendo desde as empresas de engenharia que perfuram os poços até refinarias e petroquímicas.
De acordo com as normas do curso, que conta com duração mínima de 2.400h, em três anos o aluno se forma e está apto para o mercado de trabalho. É importante salientar que cada instituição de ensino direciona o seu curso de acordo com o foco da região, atendendo às necessidades da economia local e das empresas.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

BIODIESEL À BASE DE MAMONA



Por: Luís Carlos, Felício Guedes, Valdir Farias, Simones de Zevedo e José Fabiano.



    BIOCOMBUSTÍVEIS


É o combustível de origem biológica não fóssil. Normalmente é produzido a partir de uma ou mais plantas. Todo material orgânico gera energia, mas o biocombustível é fabricado em escala comercial a partir de produtos agrícolas como a cana-de-açucar, mamona, soja, canola, babaçu, mandioca, milho, beterraba.
Os biocombustíveis são apresentados como alternativas aos combustíveis fósseis, visto que são energias renováveis, o que não acontece com os combustíveis fósseis.

Tipos de Biocombustíveis

Biomassa

            Biomassa é uma fonte de energia limpa e renovável disponível em grande abundância e derivada de materiais orgânicos. Todos os organismos capazes de realizar fotossíntese podem ser utilizados como biomassa. Exemplo: restos de madeira, estrume de gado, óleo vegetal ou até mesmo o lixo urbano. O máximo está sendo feito para obter a energia da biomassa, já que o petróleo e o carvão mineral têm previsões de acabar, a energia elétrica está cada vez mais escassa e a energia nuclear é muito perigosa. Outro fator importante é que a humanidade esta produzindo cada vez mais lixo e esse lixo também é capaz de produzir energia, isso ajuda a resolver vários problemas: diminuição do nível de poluição ambiental, contenção do volume de lixo das cidades e aumento da produção de energia.

            Formas de transformar a biomassa em energia:

A) Pirólise: nesse processo a biomassa é exposta a altíssimas temperaturas sem a presença de oxigênio, visando a acelerar a decomposição da mesma. O que sobra da decomposição é uma mistura de gases (metano, monóxido de carbono e dióxido de carbono), líquidos (óleos vegetais) e sólidos (basicamente carvão vegetal).

B) Gaseificação: nesse processo a biomassa também é aquecida na ausência do oxigênio, gerando como produto final um gás inflamável. Esse gás ainda pode ser filtrado, melhorando suas propriedades.
C) Combustão: processo onde a queima da biomassa é realizada a altas temperaturas na presença abundante de oxigênio, produzindo vapor a alta pressão. Esse vapor geralmente é utilizado em caldeiras ou para movimentar turbinas.
D) Co-combustão: é a substituição de parte do carvão mineral por biomassa utilizado em termoelétricas. Dessa forma, reduz-se significativamente a emissão de poluentes, principalmente dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio (responsáveis pela chuva ácida).

 

 Biodiesel

 

O biodiesel é derivado de lipídeos orgânicos renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, para utilização em motores de ignição por compressão (motores a diesel). É produzido por transesterificação, é também um combustível biodegradável alternativo ao diesel de petróleo, criado a partir de fontes renováveis de energia, livre de enxofre em sua composição. É obtido a partir de óleos vegetais como o de girassol, nabo forrageiro, algodão, mamona, soja.

 

Bioetanol

 

O bioetanol é a obtenção do etanol através da biomassa, para ser usado diretamente como combustível ou se juntar com os óleos vegetais e formar um combustível, a esse processo se dá o nome de transesteriicação. O etanol é um álcool incolor, volátil, inflamável e totalmente solúvel em água, derivado da cana-de-açúcar, do milho, da uva, da beterraba ou de outros cereais, produzido através da fermentação da sacarose.
          O etanol é hoje um produto de diversas aplicações no mercado, largamente utilizado como combustível automotivo na forma hidratada ou misturado à gasolina. Também tem aplicações em produtos como perfumes, desodorantes, medicamentos, produtos de limpeza doméstica e bebidas alcoólicas. Merece destaque como uma das principais fontes energéticas do Brasil, além de ser renovável e pouco poluente. O Brasil é hoje o maior produtor mundial de etanol, que, quando utilizado como combustível em automóveis, representa uma alternativa à gasolina de petróleo.


MAMONA


A mamoneira é uma planta nativa de países de clima tropical e sub-tropical que fornece um fruto semelhante a um carrapato. Por analogia, os antigos romanos dominaram-no ricinus. O principal produto da mamona é o óleo, também chamado óleo de rícino ou castor oil, o mesmo possui características químicas que lhe tornam único na natureza, é composto quase exclusivamente por um único acido guaxo (ácido ricinoléico) que contém uma hidroxila que lhe torna solúvel em álcool a baixa temperatura, muito viscoso e com propriedades físicas especiais.
            A ricinocultura constitui uma atividade econômica capaz de engajar em dois programas atuais do governo federal: o Fome Zero e o de Biodiesel (agricultura familiar). A importância da ricinocultura para o programa da agricultura familiar deriva-se do próprio sistema de produção da mamona que, praticados por pequenos produtores, gera empregos e pode ser cultivada com outras culturas, aumentando não só a renda do agricultor por hectare, como também o volume de alimentos por ária. Além de a mamona ser rústica, utiliza pouco agrotóxico e se adapta perfeitamente as regiões semi-áridas do nordeste, onde as condições de vida são mais precárias.
           Desde tempos primórdios, o óleo de rícino era utilizado para geração de luz (energia) e para fins medicinais (purgativo e ungüento para as moléstias das articulações, inflamações em geral, dor de ouvido e assaduras). Nas décadas de 1970 e 1980, a mamona, assim como outras fontes renováveis de energia, ganhou destaque pela possibilidade de utilização como substituto dos derivados do petróleo. A partir desse período, foram descobertas inúmeras aplicações industriais para o óleo de mamona: revestimentos protetores (tintas e vernizes) impermeabilizantes de superfície, fluidos hidráulicos, cosméticos, lu-brificantes para aviões e naves espaciais, vidros à prova de bala, cabos de fibra óptica, lentes de contato, e plásticos e etc.
            Nos últimos anos, as aplicações do óleo de mamona evoluíram e ganharam novos rumos. Na área da medicina, deriva-se do óleo um polímero utilizado na fabricação de cimento ósseo e de próteses de diversas partes do corpo humano.

    BIODIESEL À BASE DE MAMONA


Transesterificação

A molécula de óleo vegetal é formada por três moléculas de ácidos graxos ligadas a uma molécula de glicerina, o que faz dele um triglicídio.
O processo para a transformação do óleo vegetal em biodiesel chama-se TRANSESTERIFICAÇÃO.
Transesterificação nada mais é do que a separação da glicerina do óleo vegetal. Cerca de 20% de uma molécula de óleo vegetal é formada por glicerina. A glicerina torna o óleo mais denso e viscoso. Durante o processo de transesterificação, a glicerina é removida do óleo vegetal, deixando o óleo mais fino e reduzindo a viscosidade.
A Petrobras Biocombustível já possui o domínio completo do processo tecnológico de produção de biodiesel a partir da mamona. O combustível foi obtido com uma mistura de 30% de óleo de mamona e 70% de óleo de girassol, ambos produzidos pela agricultura familiar. O trabalho foi desenvolvido pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) na Usina de Guamaré, no Rio Grande do Norte, em regime de operação contínua, e está dentro das especificações técnicas da ANP - Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
A utilização da mamona como matéria-prima para a produção de biodiesel também já é uma realidade na usina de Candeias, na Bahia.

As plantas comerciais da Petrobras Biocombustível tiveram a capacidade de produção anual aumentada em 90%. As unidades passaram dos atuais 57 milhões para 108 milhões de litros. Com este acréscimo, a capacidade instalada da empresa atinge 324 milhões de litros de biodiesel por ano.

Selo Combustível Social

O cultivo de matérias-primas e a produção industrial de biodiesel, tem grande potencial de geração de empregos, promovendo, dessa forma, a inclusão social, especialmente quando se considera o amplo potencial produtivo da agricultura familiar no Semi-Árido brasileiro e na região Norte.
No Semi-Árido, por exemplo, a renda anual líquida de uma família a partir do cultivo de cinco hectares com mamona e uma produção média entre 700 e 1,2 mil quilos por hectare, pode variar entre R$ 2,5 mil e R$ 3,5 mil. Além disso, a área pode ser consorciada com outras culturas, como o feijão e o milho.
Para estimular ainda mais esse processo, o Governo Federal lançou o selo combustível social, um conjunto de medidas específicas visando estimular a inclusão social da agricultura, nessa importante cadeia produtiva , conforme instrução normativa no. 01, de 05 de julho de 2005. Em 30 de Setembro de 2005, foi publicada a instrução normativa no. 02para projetos de biodiesel com perspectivas de consolidarem-se como empreedimentos aptos ao selo combustível social. O enquadramento social de projetos ou empresas produtoras de biodiesel permite acesso a melhores condições de financiamento junto a instituições financeiras, além dar direito de concorrência em leilões de compra de biodiesel. As indústrias produtoras também terão direito a desoneração de alguns tributos, mas deverão garantir a compra da matéria-prima, preços pré-estabelecidos, oferecendo segurança aos agricultores familiares. Há, ainda, possibilidade dos agricultores familiares participarem como sócios ou quotistas das indústrias extratoras de óleo ou de produção de biodiesel, seja de forma direta, seja por meio de associações ou cooperativas de produtores.
Os agricultores familiares também terão acesso a linhas de crédito do Pronaf, por meio dos bancos que operam com esse Programa, assim como acesso à assistência técnica, fornecida pelas próprias empresas detentoras do Selo Combustível Social. Com isso, o produtor terá uma possibilidade a mais de gerar renda, sem deixar a atividade principal de plantio de alimentos. Essa nova linha vai viabilizar a safrinha. Os agricultores manterão suas produções de milho e mandioca, por exemplo, e na safrinha farão o plantio de oleaginosas. O limite de crédito e as condições do financiamento seguem as mesmas regras do grupo do Pronaf em que o agricultor estiver enquadrado.
As duas unidades industriais possuem o “Selo Combustível Social”, já estão produzindo com 30% do suprimento vindo da agricultura familiar. Essas empresas têm hoje entre seus fornecedores mais de 55 mil agricultores familiares, no Nordeste e em Minas Gerais. A meta é atingir 80 mil contratos.

Regiões Brasileiras, Principais Motivações e Matérias-Primas Para a Produção de Biocombustíveis


Regiões
Principais motivações
Matérias-primas
Amazônia
· Ilhas energéticas:
pequenas produções que
conferem auto-suficiência
local;
· A maior parte da energia
utilizada nesta região
provém do óleo diesel.
Palma, soja e oleaginosas
características da região.
Pré-Amazônia
· Aproveitamento de todos
os constituintes do coco
de babaçu;
· Alta produtividade de
óleo a partir do coco.
Babaçu, amendoim, mamona,
girassol e outras oleaginosas da
região.
Nordeste
· Fator de ocupação e
geração de renda,
podendo inverter o fluxo
migratório;
· Possibilidade de produção
sequeira (sem irrigação)
de oleaginosas.
Babaçu, soja, mamona, algodão,
palma, girassol.
Centro Sul e Centro Oeste
· Estabilização no preço da
soja devido ao consumo
na produção de óleo;
· Melhoria na qualidade na emissão de gases
poluentes provenientes de
veículos.
Soja, mamona, algodão, girassol.

Tabela 1


Aspectos de Qualidade do Biodiesel

 Embora relativamente simples, a produção de biodiesel precisa ser feita obedecendo a um rigoroso padrão de qualidade para que o combustível não prejudique o funcionamento dos motores em longo prazo. Essa preocupação deve iniciar com a qualidade do óleo usado como matéria prima até o armazenamento depois da fabricação.

Os principais aspectos da qualidade do biodiesel são:

Ø  A ausência de contaminantes como: sabão, catalisador;
Ø  Características físico-químicas como: viscosidade, densidade, lubricidade, cetanagem e calor de combustão.

Petrobras Biocombustível em Números (INVESTIMENTOS)

Investimentos no negócio de biocombustíveis
US$ 2,8 bilhões de 2009 a 2013.
Produção de biodiesel e etanol
US$ 2,4 bilhões
Infraestrutura
US$ 400 milhões
Metas de crescimento
Chegar a 2013 com produção equivalente a 25% do biodiesel e 10% do etanol consumidos no Brasil
Pesquisas em biocombustíveis
US$ 530 milhões nos próximos cinco anos


Tabela 2

Vantagens do Biodiesel à Base de Mamona

Ø O biodiesel é um ótimo lubrificante e pode aumentar a vida útil do motor;
Ø O biodiesel tem risco de explosão baixo. Ele precisa de uma fonte de calor acima de 150 graus celcius para explodir;
Ø Tem fácil transporte e fácil armazenamento, devido ao seu menor risco de explosão;
Ø O uso como combustível proporciona ganho ambiental para todo o planeta, pois colabora para diminuir a poluição e o efeito estufa;
Ø Para a utilização do biocombustível, não precisa de nenhuma adaptação em caminhões, tratores ou máquinas;
Ø O biodiesel é uma fonte limpa e renovável de energia que vai gerar emprego e renda para o campo, pois o país abriga o maior território tropical do planeta, com solos de alta qualidade que permitem uma agricultura auto-sustentável do plantio direto; topografia favorável à mecanização e é a nação mais rica em água doce do mundo, com clima e tecnologia que permitem a produção de duas safras ao ano;
Ø O biodiesel é usado puro nos motores, porém aceita qualquer percentual de mistura com o diesel, pois é um produto miscível;
Ø Beneficia os agricultores e contribui para o crescimento econômico dos municípios, pois reduz a exportação de divisas e permite a redução de custo desse insumo;
Ø Na queima do biodiesel, ocorre a combustão completa.

Desvantagens do Biodiesel à Base de Mamona

Ø  Os grandes volumes de glicerina previstos (subproduto) só poderão ter mercado a preços muito inferiores aos atuais; todo o mercado de óleo-químicos poderá ser afetado. Não há uma visão clara sobre os possíveis impactos potenciais desta oferta de glicerina;
Ø  No Brasil e na Ásia, lavouras de soja e dendê, cujos óleos são fontes potencialmente importantes de biodiesel, estão invadindo florestas tropicais, importantes bolsões de biodiversidade. Embora, aqui no Brasil, essas lovouras não tenham o objetivo de serem usadas para biodiesel, essa preocupação deve ser considerada;
Ø  Alto custo para produção e baixo custo para venda;
Ø  Falta de matéria prima;
Ø  Falta de mecanização;
Ø  Substituição de culturas de subsistência para o plantio da mamona