Mercado financeiro russo se estabiliza, mas os ânimos na Rússia e no mundo são de apreensão
A relativa calma no mercado internacional de petróleo foi interrompida por mais um colapso do mercado financeiro, conforme escreve a Agência Internacional de Energia (AIE) em seu novo relatório. “A confrontação política em torno da dívida pública dos Estados Unidos, a escalada da crise das dívidas públicas na zona do euro e a queda do rating dos EUA provocaram vendas massivas em todos os níveis do mercado, na pressa de se desfazer de ações e mesmo de matérias-primas em estoque, em função de previsões de queda dos preços."
A AIE baixou a previsão da demanda global de petróleo em 60 mil barris ao dia, o que, por enquanto, não é crítico, embora reflita a desaceleração dos EUA e da China. Mas a crise ainda pode afetar de modo mais sério o mercado do petróleo – adverte a agência internacional, e os investidores, como se pode observar nos últimos dias, captaram o sinal.
Por enquanto a AIE se atém ao cenário positivo, que prevê o crescimento da economia global em 4,2% em 2011 e 2012. Nesse caso, a demanda por petróleo aumentará 1,4%, até 89,5 milhões de barris por dia. Já em 2012 o aumento da demanda seria maior ainda – de 1,8%, saltando para 91,1 milhões de barris diários.
Na quarta-feira, 10, o mercado melhorou. O petróleo do tipo Brent (o mais produzido na Rússia) começou o dia subindo 5%, mas no final o preço baixou para 104,25 dólares. Desde o início de agosto, esse tipo de petróleo ficou 15 dólares mais barato.
Segundo o presidente da agência de consultoria Prestige Economics, Jason Schenker, durante as próximas 5 ou 6 semanas, até a reunião do Federal Reserve americano, o mercado permanecerá altamente volátil, e os preços poderão saltar e cair numa faixa de 10 dólares.
No caso de os preços do petróleo caírem 10 dólares abaixo da previsão oficial (93 dólares por barril em 2012, 95 dólares em 2013, e 97 dólares em 2014, segundo o Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia), o orçamento da Rússia perderá 500 bilhões de rublos (mais de 16 bilhões de dólares), e o déficit do orçamento aumentará em 1% do PIB, de acordo com o Ministério das Finanças da Rússia. Se, durante o ano, o petróleo custar 60 dólares por barril, o déficit do orçamento público poderá ser superior a 5% do PIB. Com o preço de 50 dólares, ou menor, por barril, a dívida pública do país em 2013 e 2014 poderá ser superior a 20% do PIB.
Apesar de o mercado financeiro russo ter se estabilizado desde o colapso de terça-feira, 9, os ânimos, na Rússia e no mundo, são de apreensão.
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